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Eletrostáticas: O Inimigo Invisível
04 de fevereiro
de 2003
Postado por: Thadeu Camargo
Quando isso acontece, o desfecho certamente é a troca do
componente
ou micro, evidentemente após um pouquinho de dor de
cabeça pois geralmente o
fornecedor não vê com bons olhos esta troca, apesar de ser
justa.
Mas e quando o componente começa a dar problemas após
algum tempo,
sem motivo aparente?
E quando o micro trava de vez em quando, passa algum tempo sem
acontecer nada para logo depois travar novamente?
Nestes casos a troca passa a ser extremamente dificultada pois o
componente, apesar de não estar saudável, não
apresenta erros frequentes e
obviamente, se o fornecedor não presenciar o erro,
relutará em fazer a troca. E
isto pode virar um grande problema.
Os casos citados acima, podem ser derivados de algo que muitos
usuários, fornecedores e até mesmo técnicos
costumam desdenhar: A ESD, ou
Descargas Eletrostáticas.
A ESD infelizmente é muito comum no meio dos componentes de
computadores graças a desinformação ou mesmo
descrença de seu potencial destrutivo.
Sim, a ESD é extremamente destrutiva. Não para o ser
humano, mas sim para os
componentes eletrônicos e pode fazer com que estes funcionem
erraticamente como
destrui-los por completo, fazendo com que muitos circuitos não
respondam mais.
Todos que trabalham diretamente com a manipulação de
componentes deveriam ter o
máximo cuidado para evitá-las.
O potencial das ESD
Não entrarei aqui no conceito das ESDs, basta dizer que elas
são
causadas devido a a troca de cargas eletrostáticas, ou seja, o
desbalanceamento
de eletrons ou neutros de um corpo e a consequente mudança de
cargas de um
corpo para outro.
Um bom exemplo disso são aquelas experiências de escola,
onde se
passa um pente no cabelo e depois este parece funcionar como um
imã, ou mesmo,
a sensação ao aproximar a mão do tubo de
televisão recentemente desligado.
O corpo humano tem um grande potencial para acumular descargas
eletrostáticas. Atos como passar a mão no cabelo, andar
no carpete, friccionar
as mãos em roupas, se esfregar em algo, podem acumular grandes
quantidades de
ESD.
Na grande maioria das vezes o ser humano não sente nenhuma
sensação
de carga eletrostática, ela é completamente inofensiva
para ele. O mesmo não
pode se dizer das peças fabricadas com tecnologia CMOS. Estas
são extremamente
sensíveis a ESD. Para quem não sabe, as peças
fabricadas com tecnologia CMOS
estão presente em grande abundância nos componentes para
PCs. Processadores,
chips e chipsets em geral são fabricados com esta tecnologia.
Ela está tão
presente nos componentes do micro que até leva o nome do chip
que armazena as
configurações do SETUP.
Para se ter uma idéia
do quanto um contato humano pode ser
destrutivo para estes sensíveis componentes basta dizer que um
chips CMOS pode
ser afetado com uma descarga eletrostática de 250V. Uma pessoa
caminhando num
carpete, dependendo da taxa de umidade do ar, pode acumular mais de
1500V !!!
A ESD pode tanto destruir o componente como danificá-lo a ponto
de
fazê-lo funcionar erraticamente.
Quando a ESD destrói o componente, este é de fácil
detecção. O
dispositivo para de funcionar ou trabalha de modo inútil, como
por exemplo:
Um pente de memória que faz o micro travar frequentemente,
gerando
GPFs, telas azuis, etc..; uma placa de vídeo que trava a ponto
de ter que resetar
o micro no dedão :-) um modem que
dá
tela azul ao tentar se conectar ou trava completamente o micro, etc..
Existem casos em que a ESD compromete a peça de tal ponto que
esta
não responde mais. A morte completa:-)
Se você usa computadores a algum tempo, trabalha com a
manutenção
destes ou é vendedor de peças com certeza já se
deparou com casos assim. É,
aquela memória que não deixava o seu Conectiva
inicializar e que dava belas
telas azuis no seu Windows 98 provavelmente deve ter sido vítima
da ESD...
Estes casos que citei acima são até fáceis de
serem resolvidos. É
só colocar a peça no saquinho e levá-la ao seu
fornecedor para trocá-la.
Mas e se o seu micro começa a dar tela azul de uma hora pra
outra
seguidamente e no outro dia ele trabalhe perfeitamente bem, como se
nada
tivesse acontecido?
E se ele começa a travar direto na internet logo naquele fim de
semana que você aproveitou para baixar uma penca de demos de
games e para seu
espanto, na segunda feira, a conexão volta a ficar perfeita?
Então começa-se a via crúcis de
atualização de drivers,
reinstalação de programas, formatação e
reinstalação do Windows....nada surte
efeito. Quando ele cisma em travar nada o impede.
É meu amigo, provavelmente você estará com um caso
de ESD dos mais
chatos e difíceis de resolver. Com certeza, o componente deve
ter recebido uma
( ou várias ) descarga eletrostática na qual minou uma
parte dele. Como se
fosse uma morte lenta, o componente trabalha bem algumas vezes ou mal,
devido
as falhas causadas pela ESD.
Meios
de se causar ESDs
Basicamente o meio mais
comum de se causar ESD é a má manipulação
dos componentes. Não se deve descartar uma ESD gerada na
fabricação do
componente, mas é evidente que muitos usuários,
técnicos e vendedores não manipulam
os componentes corretamente, graças a isso, gerando
as ESDs.
O grande problema é que, como citei no título, ela
é invisível e
insensível para os humanos. Isso faz com que as pessas
não acreditem muito nos
danos que uma má manipulação possa causar. Se
todos manipulassem as peças
corretamente com certeza o índice de peças devolvidas e
problemas a resolver
seriam reduzidos drasticamente.
Como evitar?
Evitar ESDs é ao
mesmo tempo extremamente fácil e terrivelmente
difícil.
Fácil porque não há necessidade de quebrar a
cabeça. É só manipular
as peças corretamente, pegando as placas pelas bordas,
não tocando de jeito
algum nos chips e contatos, acondicionando os componentes em sacos
anti-estáticos e usando espuma anti-estática para o
descanso das peças se for
deixá-las em cima da mesa.
Além dos sacos anti-estáticos, que tem uma
aparência metalizada (
estas são aquelas embalagens que acondicionam as peças )
e das espumas
anti-estáticas, geralmente com a cor rosada ou cinza, os existem
plásticos
bolha anti-estáticos. Geralmente estes tem a cor rosada,
parecida com as das
espumas anti-estáticas. O plástico bolha comum que
é vendido nas casas de
plástico comuns não é indicado
para
guardar os componentes.
Existem alguns procedimentos que são importantes para se
precaver
das ESDs, caso vá trabalhar com as peças: Antes de as
manipular, descarregue a
estática de seu corpo. Isto pode ser feito tocando em alguma
peça aterrada e
condutiva, como uma torneira, armário de metal, parede sem
pintura ou chão de
cimento.
Evite usar roupas de lã ou muito felpudas, evite o uso de
carpetes
ou tapetes no lugar de trabalho e tenha o hábito de não
friccionar as mãos
antes de tocar nas peças.
Caso queira mais precaução, pode se usar uma pulseira
anti-estática. Esta tem uma extremidade de metal na qual deve
ser conectada a
algo aterrado. Esta pulseira é muito útil para
técnicos e montadores, já que
deixa o corpo limpo de descargas e isso é fundamental para quem
trabalha
diretamente com peças o dia todo.
Existem algumas ferramentas que podem ser muito úteis para a
manutenção, como pincéis e escovas
anti-estáticas. Excelentes para retirar
poeira das peças sem medo de causar ESDs.
Existe uma infinidade de peças, desde as famosas pulseiras
até
roupas anti-estáticas. Você pode encontrar uma boa
variedade de ferramentas
anti-estáticas na New Horizon
Porque este esforço todo citado acima não terá
muita valia se os
outros que tiverem a peça em mãos não tomarem o
mesmo cuidado. Afinal de
contas, a peça passa de mão em mão, desde o
fabricante, passando pelo vendedor,
chegando ao técnico que vai montar a maquina ou apenas fazer o
upgrade, até a
mão do usuário final. Este é um cuidado que deve
ser seguido por todos, numa
cooperação conjunta. É uma questão de ter e
absorver a informação para evitar
problemas futuros e isso é muito delicado pois cada
cabeça ( ou mão?:-) pensa
diferente e sempre tem um achar isso tudo uma grande bobagem.
É isso aí. Se
todos cuidarem das peças com o cuidado merecido, só
terão a ganhar. Desde o fornecedor que verá sua taxa de
materiais devolvidos
reduzida, passando pelo técnico que não gastará
tanto tempo para diagnosticar
um possível defeito na máquina até o
usuário final, que não se aborrecerá com
tantos travamentos, telas azuis ou mensagens de erro:-)
