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Refrigerando sua Máquina

 
10 de março de 2003
Postado por: Thadeu Camargo

 

Atualmente as máquinas estão cada vez mais potentes. Processadores passaram da casa dos 2Ghz e já chegaram a dos 3Ghz. Placas de vídeo estão cada vez mais potentes e as memórias, apesar de não chegarem a tamanha frequência, também estão cada vez mais rápidas. Tudo isso tem um preço. E este preço é medido em aquecimento. Por incrível que pareça, um processador pode, tranquilamente passar dos 90ºC sem refrigeração adequada. Placas de vídeo atuais mais potentes também trabalham com suas GPUs ( processadores gráficos ) em temperaturas elevadíssimas. Os demais componentes do PC, como pentes de memória e HDs contribuem para que a temperatura do gabinete fique em níveis extremamente elevados.
Os componentes de um PC foram concebidos para trabalhar com temperaturas relativamente elevadas, mas existe um limite. Caso este limite seja ultrapassado, teremos um processo de superaquecimento. E isso não é nada bom.
Quando o processador entra em superaquecimento, o sistema fica extremamente instável. No caso do Windows acontecem: Telas azuis, GPFs, travamentos constantes, andamento errático do sistema. No Linux: travamentos ou mesmo a não inicialização do sistema. Além de resets aleatórios. O superaquecimento faz com que todos os componentes do PC trabalhem de forma errática. Isso deve ser evitado a todo custo.
Quando se fala em refrigerar o PC o primeiro componente que vem a mente é o processador, e com toda razão. Este é, de longe, o componente mais “esquentado” do PC. Refrigerar um processador é uma tarefa importantíssima, diria até, primordial para o bom funcionamento de sua máquina.

Coolers, pastas termicas,..

 
A ferramenta de refrigeração de processadores chama-se cooler. Este consiste se num dissipador e uma ventoinha jogando ar para o dissipador. O dissipador tem que ser feito de material resistente e altamente condutivo. Geralmente alumínio, ou cobre. Sua função é absorver o calor proveniente do die ( núcleo do processador ). A ventoinha tem que ter uma boa vazão de CFM ( pés cúbicos por minuto ) para que possa refrigerar bem o dissipador.

Desde o advento do Pentium comum ( os P54C ) é necessário a implantação de coolers em processadores ( alguns 486 também usavam ). Como o Pentium não esquentava muito, os coolers da época não eram lá muito potentes e nem tinham razão de ser. Com a chegada dos processadores Pentium III, Celeron, Athlon e Duron  em soquetes, fez se necessária a implantação de coolers mais potentes. A tendência é ter coolers mais poderosos a medida que os processadores vão evoluindo.
Quando se fala em processadores “esquentados”, vem logo à mente os da AMD. Realmente estes processadores esquentam bastante, se comparados aos da Intel. Mas caso o usuário tenha um processador da Intel, não deve se descuidar, pois superaquecimento acontece em ambas arquiteturas.
A escolha de um bom cooler é fundamental para uma boa refrigeração. Sem um bom cooler não se consegue deixar o processador numa temperatura satisfatória. A temperatura almejada será mais alta ou mais baixa conforme a potência do processador. Por exemplo, um Celeron 700 com 37°C, Um Duron 900 a 42°C, um Atlhon 1Ghz a 45°C ou um Atlhon XP 2100 a 50°C estão em temperaturas razoáveis. Diria que uma média segura para a maioria dos processadores atuais seria entre 45 e 55°C em condições normais. Se o seu processador está beirando os 60°C é hora de tomar providências para diminuir a temperatura dele.

Atualmente existe uma grande variedade de coolers no mercado. Evite os coolers “genéricos” ( aqueles de 10 ou 15 reais ) que existem aos montes por aí. Estes coolers lhe darão enormes dores de cabeça caso seu processador seja um pouco mais potente. Dê preferência a coolers de referência e que sejam certificados para um processador mais potente do que o seu. Por exemplo, se o seu processador for um Duron 1.3Ghz, pegue um cooler que trabalhe com um Atlhon XP 2100 ou 2500.
Existem processadores que são vendidos em conjunto com um cooler. Estes são chamados “IN A BOX’. Geralmente os coolers que vem neste conjunto costumam trabalhar relativamente bem. Não é nenhuma Brastemp mas...Bem, caso o seu processador seja um destes, saiba que a troca do cooler implica na perda da garantia do mesmo. Eu particularmente prefiro comprar o processador e o cooler separado pois me dá a opção de comprar um cooler mais potente e deixar o processador trabalhando a temperaturas mais baixas. É lógico que isto vai depender de cada usuário, se você prefere um IN A BOX, então vá fundo;-)

É muito comum a inclusão de um elastômero nos dissipadores dos coolers vendidos atualmente. Este material serve de condutor, para que o contato do die e o dissipador seja perfeito e o calor seja conduzido perfeitamente. Caso queira aproveitar este material, não há problema. Geralmente o elastômero trabalha bem. Mas saiba que a pasta térmica é muito melhor.
Pasta térmica é um material condutor cuja finalidade é a mesma do elastômero, só que muito mais eficiente pois ela tem um poder de condutividade mais elevado. Dependendo da qualidade da pasta, a temperatura pode diminuir até 4°C!! Se você quiser colocar a pasta térmica, faça o seguinte: Retire todo o elastômero de modo que não fique nenhum rastro para contar a história. Após isso aplique uma porção mínima de pasta sobre o die do processador, de modo que fique apenas uma fina camada, o suficiente para que a pasta faça o contato e a condutividade do calor do processador para o dissipador do cooler. Nada de encher o processador de pasta. Tem gente que coloca tanta pasta no processador que ele acaba parecendo um bolo!! A pasta térmica só vai ter a sua funcionalidade se colocar apenas uma fina camada somente sobre o die. Nada mais. Caso contrário, ao invés de diminuir, a temperatura vai é aumentar, pois ela não vai exercer plenamente a sua função de contato e condutividade do die do processador para o dissipador do cooler. Lembre-se que a pasta é um material condutor., ok?

Um truque usado por alguns overclockers para melhorar o contato do processador com o cooler é lixar o lado do dissipador que fica em contato com o processador. Neste caso, deve se desmontar o cooler, deixando o dissipador livre, pegar uma lixa 600 e lixar a superfície deste até esta ficar lisa como um espelho. Será necessário passar para as lixas 1200, 1500, 2000 gradualmente para que isso aconteça. Após isto, limpe bem e remonte o cooler. Não esqueça de passar a pasta térmica senão este trabalho todo não terá muita valia;-)
Com o passar do tempo é muito comum que a poeira se entranhe na ventoinha e no dissipador, então é interessante que se faça uma pequena limpeza para retirada da poeira caso isso aconteça. Aproveite para fazer isso quando fizer a limpeza periódica no micro.
Refrigeração do processador é importantíssimo, mas ainda não é o bastante. Existem alguns outros procedimentos que devem ser tomados.

 
Placas de vídeo, HDs, memórias...

 
Pois é, se você pensa que o processador é o único esquentado desta história, está muito enganado. Existem outros componentes que esquentam e muito!!
As placas de vídeo mais atuais, em especial, as mais potentes, como as Ge force FX, Radeon 9600 pra cima, tem sua GPU ( processador gráfico ) e memórias trabalhando a frequencias altíssimas. Estas placas são vendidas com um cooler completo ( ventoinha e dissipador ). Geralmente estes coolers dão conta do recado, mas algumas placas, como uns modelos Ge Force 4MX vem somente com o dissipador, isso pode fazer com que a GPU enfrente temperaturas muito altas. Caso você se depare com um problema destes a solução será adaptar uma ventoinha para acoplar no dissipador desta placa.
A solução descrita acima pode ser aplicada a alguns chipsets de placa mãe também. Existem algumas placas mãe que já vem com uma ventoinha no chipset destas, mas em muitos modelos esta ventoinha é inexistente. Na maioria das vezes isto não ocasiona maiores problemas mas uma ventoinha no chipset vai diminuir a temperatura e consequentemente o sistema trabalhará melhor. Sabe aquele 486 jogado no canto do quarto de empregada e que não está servindo para nada? A ventoinha dele pode ser a sua solução;-)

HDs e memórias esquentam, sim senhor. Alguns, como o Maxtor D740-X chegam a temperaturas extremas. No mercado já existem coolers para HDs. Não é primordial mas lembre-se que diminuindo a temperatura dele, o sistema em geral terá a sua temperatura reduzida. De qualquer modo, mesmo que não se queira colocar coolers no HD, deve se refrigerar o gabinete para que o sistema, como um todo, possa trabalhar em ótimas condições.

  
Refrigerando o gabinete

 
Não adiantará muita coisa colocar um cooler superpotente no processador, outro no HD, se o gabinete estiver mau refrigerado. Existem alguns fatores muito importantes para que se possa ter um sistema trabalhando numa temperatura ideal:

- Em primeiríssimo lugar: Dê sempre preferência a gabinetes media torre, com 4 baias no mínimo. Eles tem bastante espaço para ventilação geral e dos componentes. Gabinetes pequenos ( mini torre, geralmente com duas a tres baias ) não tem boa ventilação, os componentes ficam um em cima do outro, prejudicando a dissipação de calor..enfim. Fuja deste tipo de gabinete. Use gabinetes pequenos somente se o seu micro for um Pentium comum, ou K6...

- Procure colocar os componentes distantes um do outro, por exemplo, deixe o HD e o drive de disquete com uma baia vazia a separá-los. Isso fará com que a dissipação de calor seja mais precisa.

- Faça uma arrumação dos cabos, principalmente os Flat de modo que estes não atrapalhem a ventilação de ar. Você pode aproveitar uma baia vazia para juntá-los ao invés de deixá-los soltos pelo gabinete.

- Evite deixar as placas em slots vizinhos, uma do lado da outra. Principalmente a de vídeo. Procure sempre deixar pelo menos um slot vago entre elas. No caso da placa de vídeo, deixe quantos slots vazios for possível para que se tenha uma boa dissipação do calor.

- Procure utilizar pelo menos dois coolers de gabinete. Coolers de gabinete são ventoinhas instaladas em lugares estratégicos do gabinete para que o ar circule e o ar quente saia dele. Uma arrumação que surte efeito é: Uma ventoinha na parte inferior frontal do gabinete soltando o ar para dentro e outra na parte  traseira soltando o ar para fora. Existem alguns gabinetes que já vem com o local para instalação destas ventoinhas, tanto na parte frontal quanto na traseira. A ventoinha da fonte existente no gabinete também faz o papel de exaustor.

- Procure deixar o gabinete limpo, livre de poeira. A poeira, além de sujar e atrapalhar o bom funcionamento dos componentes, faz com que a ventilação do gabinete fique deficiente. Enfim, a poeira não traz nenhum ganho. Só prejuízo.

- Vale ressaltar um fato que já presenciei algumas vezes: Geralmente, as placas mãe vem com uma espuma anti-estática dentro de sua embalagem. Esta espuma é muito importante para proteger a placa de descargas eletrostáticas ( leia com mais detalhes aqui ) mas esta espuma não deve ir junto com a placa para o gabinete. Pois bem, alguns montadores tem o péssimo hábito de deixar esta a espuma dentro do gabinete, junto com a placa. Creio que eles devem pensar que esta espuma vai proteger a placa de alguma coisa. Isto está errado. Não só errado como também pode provocar um aquecimento na placa mãe e ocasionar problemas. Então, se a sua máquina tiver uma espuma destas dentro do gabinete, junto a placa mãe, retire-a.

 
Gabinete abaixo de 0°C , coolers turbinados,..

 
É lógico que aqui abordei somente procedimentos comuns para que se tenha uma máquina a uma temperatura razoável. Existem coolers e gabinetes fabricados para que o micro trabalhe em temperaturas muito baixas. Na maioria das vezes estes produtos são direcionados aos overclockers. Alguns entusiastas gastam pequenas fortunas em coolers superdimensionados ou Watercoolers para que suas máquinas atinjam limites extremos a temperaturas razoáveis. Para o usuário mortal, um bom cooler e um sistema de refrigeração é mais do que suficiente, e creio que as dicas citadas devem ser de muita valia para que o sistema tenha um bom rendimento, pelo menos no que se referir a temperatura;-)




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